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domingo, 4 de outubro de 2015

Heimin, Hinin e Etas

A população de Rokugan:

Samurais não são maioria em Rokugan, eles tem um papel importante na sociedade e na Ordem Celestial mas estão longe de ser a casta mais numerosa. Quando os filhos de Amaterasu e Onnotangu caíram no Ningen-do os mortais já habitavam esse mundo. Enquanto alguns fugiram dos domínios dos kamis, fundando tribos como os yobanjin.
Os que ficaram e se submeteram à vontade dos kamis e de seus descendentes se tornaram heimins, hinins e etas, e são a maior parte da população do império.

"Heimin" é uma palavra original da língua japonesa, cujo o plural também é heimin. Eles são os trabalhadores, camponeses e comerciantes do Japão feudal, são homens livres. Essa é possivelmente a terminologia menos inalterada ao longo da história do Japão, as demais classes tiveram diversos nomes e divisões ao longo do tempo (Kazoku, Shizoku, Kuge, etc) mas o conceito de heimin, e a palavra heimin, se mantiveram pouco alterados. A palavra também é frequentemente traduzida como "meio-pessoa".

Os heimin  são os plebeus de Rokugan, os homens e mulheres do povo, trabalhadores, camponeses, artesãos* e comerciantes. São a classe que tem a capacidade de produção e são também administradores dos meios de produção. Os plantadores de arroz são considerados os melhores dentre eles, apesar da vida difícil que levam., mas seu trabalho em prover alimento, tão essencial a vida,  costuma ser reconhecido. Se existe uma sub divisão na casta heimin o camponês ocupa o topo. Em seguida vem o artesão, que produz aquilo que é necessário, ferramentas e utensílios. E por ultimo o mercador, que não tem capacidade produtiva.

Os hinin são os "não-pessoa", eles se dedicam a trabalhos não produtivos, servem aos heimin, são bandidos, charlatões, artistas (como atores, ou músicos, mas não pintores ou escultores, artistas cuja a arte não gera um produto), acompanhantes, como geishas ou prostitutas, cabem nessa classe.

Um sub-grupo especialmente baixo dos hinin é composto de etas. Os etas vivem em uma situação próxima a de escravos, eles são os impuros, pessoas que exercem trabalhos relacionados ao manuseio de corpos ou sangue. Açougueiros, trabalhadores do curtume, agentes funerários, executores, limpadores de fossa.

Eu particularmente coloco os serviçais domésticos dos samurais como heimin, mas pela classificação sugerida nos livros eles seriam hinins. São as pessoas que limpam a casa do samurai, preparam a refeição, olham os filhos na ausência dos pais. São servos muito próximos a casta samurai e em geral devem ser educados para lidar adequadamente com essa proximidade. Se o servo de um samurai insulta uma visita isso mostra a inabilidade daquele samurai de educar e controlar seus servos.

Evidentemente que alguns clãs são mais próximos desses heimins que outros, e alguns são mais dependentes deles que outros.

A maioria dos heimins não sabe ler ou escrever, a menos que isso seja intrínseco da função que exercem. Mesmo as geishas nem sempre sabem ler, as poesias são recitadas para elas por um tutor e elas devem memoriza-las. Ainda que algumas geishas saibam de fato ler um hinin letrado é algo raro. E um eta letrado só pode ser um ninja (mas ninjas não existem).

O samurai é, supostamente, responsável por proteger e instruir as castas inferiores. Eles podem facilmente atuar como juízes e executores de quais quer causas que envolvam as castas inferiores. mas cabe lembrar que os heimins, os produtores, são homens livres. Se um samurais lhes causa terror é bem possível que esse samurai acorde para encontrar terras abandonadas pelos trabalhadores, que fogem para uma vida que lhes seja menos hostil. Os clãs se preocupam em manter uma administração que não afugente toda a força de trabalho disponível, embora também não convenha atrair mais que o necessário.
Etas e hinins circulando sem a presença de um heimin ou samurai podem encontrar dificuldades em cruzar fronteiras ou se estabelecer em outros territórios, embora eles não sejam proibidos de partir de suas terras de origem e bem difícil serem recebidos em outros locais. E como os heimin podem, supostamente, exercer alguma autoridade sobre eles hinins e etas são especialmente cautelosos, não vale a pena deixar um "patrão" ruim para ser obrigado a trabalhar para outro pior.

Com isso em mente não é de se surpreender que os heimin se adequem a viver em harmonia com o clã para qual trabalham mais diretamente. Os heimin do Escorpião são cautelosos nas informações que passam a estrangeiros e bastante observadores, na expectativa de serem uteis ao Escorpião. Os heimin da Garça são educados, servis, corteses, a exemplo dos samurais que seguem. Os heimin do Dragão são especialmente atentos a Ordem Celestial enquanto os do Leão tem as maiores chances de se inspirarem pela honra e assim por diante.






segunda-feira, 20 de abril de 2015

O Imperador e a dinastia




Eu vou emprestar um bocado de aspectos e caractéristicas das monarquias Japonesas e Chinesas para reconstruir a organização politica, a função do Imperador/Imperatriz e a hereditariedade de Rokugan. Eu vou tirar toda a questão de genero, não quero isso incomodando o cenário (não nesse momento, tem ocasiões em que é interessante experimentar a segregação no jogo), e vou atribuir regras de sucessão diferentes das oficiais, que permitem mais manobras políticas e influência dos personagens. Em parte isso vai encaixar com a cosmologia que tenho em mente para o cenário.


O imperador (ou Imperatriz) é o monarca e soberano governante do império. Ele(a) é o lider político, religioso e militar. Ele é também o elo mais forte entre o mundo mortal e o Paraiso Celestial, em parte o Imperador é responsável por manter a conecção entre o Ningen-do e o Tengokku, sendo ele mesmo um canal, um elo entre os mundos. O imperador é abençoado com um talento natural para ouvir os kamis e sentir as Fortunas. Imperadores especialmente devotados são os únicos (únicos!) mortais capazes de conciliar habilidades de bushi e shugenja, ainda assim pouquissimos são tão disciplinados.
Não ha qualquer predileção por um Imperador do sexo masculino, Imperatrizes (regentes) são igualmente aceitas e comuns. A regra de sucessão é que importa, não o genero da criança herdeira.
O imperador tem algumas atribuições anuais, celebrações que mantem a harmonia entre o Ningen-do e os outros reinos, assim como todas as questões politicas e militares que envolvam o Império. De acordo com a burocracia muito pouco pode ser feito sem autorização do Imperador ou das familias Imperiais, logo, o imperador é de fato ocupado e não apenas uma figura ilustrativa.
O imperador não recebe visões ou missões como os Oraculos mas entre as capacidades que vem com a regencia esta a de falar com os Dragões, atraves do favor dos dragões o Imperador tem controle sobre o clima de Rokugan, os clãs que o ofendem frequentemente enfrentam periodos de colheitas ruins ou catastrofes meteorologicas.
Enventualmente um Imperador ofende um dragão e problemas como a grande fome decorrem. Da mesma forma, destronar um regente que tenha a simpatia dos Céus pode ser igualmente perigoso.
“In ancient and imperial China, controlling China’s rivers and feeding the country’s large population were key ways for a ruler to demonstrate his moral legitimacy and win the people’s hearts. The Great Yu, for instance, the legendary sage emperor said to be the founder of the Xia Dynasty (roughly 2070 – 1600 BCE), demonstrated his fitness to rule by taming China’s rivers when others had failed” ( Edgerton-Tarpley, apud Dodgen, 2012)

Em fim, nessa Rokugan, o Imperador tem responsabilidades e atribuições, não é só um cara sentado em uma cadeira bonita.


A hereditariedade: Os poderes e responsabilidades do Imperador são sempre carregados para a próxima geração. A dinastina não anda para os lados (até para evitar fraticídios desenfreados, os infanticídios já bastam), nesse caso, um Imperador sem filhos pode, em uma hipotese remota, ser sucedido por um sobrinho, mas nunca por um irmão. Em geral o herdeiro é apontado pelo Imperador ainda em vida, supostamente com indicação Celestial. O Imperador é responsável por escolher entre os seus filhos aquele que lhe parecesse mais apto ao trono. O escolhido torna-se o principe (ou princesa) herdeiro. Quando um Imperador morre sem ter anunciado uma escolha a tradição sugere o filho/filha mais velho da(o) consorte Imperial. Se o consorte imperial não tiver filhos, então busca-se o filho/filha mais velho no harem.

O consorte Imperial: Quando o Imperador se casa a esposa se torna a Imperatriz consorte, ela, tendo vindo de outra família, não tem a benção celestial e não torna-se governante com a morte do Imperador. Na verdade, se o filho dela não se tornar Imperador é bem possível que ela simplesmente perca o titulo de Imperatriz.
No caso da filha de um regente herdar o trono, como Imperatriz regente, acontece exatamente o mesmo, seu esposo pode ser tratado como Imperador consorte. Novamente, as regras são as mesmas, não importa o genero.
Para a mãe do regente existe um posto especial (Empress dowager), e ela é sempre tratada com reverência e como alguem que pode dar conselhos. Tanto a Imperatriz dowager quando o consorte imperial tem responsabilidade na manutenção e seleção do harem.

O harem: Considerando a importância da próxima geração os Imperadores/Imperatrizes podem manter relações de concubinato. Sim, ambos os generos, nessa Rokugan podem existir ‘concubinos’, da mesma forma que existem casas de taikomochi praticamente na mesma proporção em que existem casas de geishas.
Embora nem todos os regentes de Rokugan optem por ter vários concubinatos, isso é possível e aceitavel. Em geral essa opção tende a não agradar o consorte Imperial.
Embora seja muito menos comum samurais que tem condições, e autorização dos respectivos clãs, também podem manter concubinatos, novamente, garantir as próximas gerações é não só essencial como uma obrigação para com a familia.

Nesse momento você pode estar se perguntando “Como isso permite mais influencia dos personagens?”. Bem, de cara Empress Dowager é um titulo ao qual qualquer concubina, de qualquer clã, pode chegar, é uma posição de prestigio e embora não tenha um poder formal tem o respeito do regente. Todas as concubinas tem algum nível de influência e obviamente os clãs tem interesse em ter um descendente do “seu clã” como herdeiro, mesmo que ele não carregue o nome. Embora o consorte imperial ainda seja tradicionalmente (e quase que obrigatóriamente) um Doji o concubinato da espaço de atuação para os demais clãs.
Claro que no caso de uma Imperatriz regente se aposentar e seu filho ou filha herdar o trono, ela mesma se torna Imperatriz dowager, no caso de uma Imperatriz regente falecer tem-se um período sem Imperatriz dowager (embora a falecida receba o titulo, mesmo pos-morte, com a coroação de seu sucessor direto).

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Refêrencias:
Edgerton-Tarpley, K. FROM “NOURISH THE PEOPLE” TO “SACRIFICE FOR THE NATION”: CHANGING RESPONSES TO DISASTER IN LATE IMPERIAL AND MODERN CHINA (2012).
http://en.wikipedia.org/wiki/Emperor
http://l5r.wikia.com/wiki/Emperor_of_Rokugan
Empresses in the Palace(The Legend of Zhen Huan). Série de TV: 2011-2012
The Empress of China - Série de TV: 2014

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Mapa de Rokugan

Como muitos sabem a geografia Rokugani ao longo das ediçoes (e as vezes até dentro de uma mesma edição se você levar em conta os textos) é totalmente mutável.
Até o momento esse foi o melhor mapa geográfico que eu já encontrei:

Eu gosto desse mapa por que ele é claro e objetivo, marca lugares e estradas importantes e deixa espaço para o grupo/mestre colocar suas prórpias vilas e trilhas. Ele também é bem facil de editar se você quiser fazer algo mais bonito em vez de rabiscar com lápis.
E para sua alegria ele pode ser colorido politicamente da forma que lhe parecer adequada. A versão a seguir é de um grupo francês, responsável por adaptar e colorir um original da segunda edição (para não dizer que a segunda edição não fez nada de bom, somem esse mapa a lista ^_- ):

Essa não é a versão que eu uso no meu jogo, se os grandes clãs vivem brigando por território não faz sentido ter tanto espaço largado, sem estar sob a proteção de um clã maior. Isso seria um convite a problemas. Eu prefiro um mapa totalmente ocupado por clãs, onde a disputa de fronteira realmente faz sentido e os ronins não tem para "onde fugir".

Por falar nisso, a AEG esta trabalhando em novos mapas para Otosan Uchi, Toshi Ranbo e Ryoko Owari, bem como em novos mapas do mundo. Logo logo veremos o Atlas de Rokugan, só espero que ele não desaponte, como desapontou o Mechant's Guide to Rokugan (eu esperava mapas e economia e recebi kolat, foi frustrante).

sábado, 7 de março de 2015

Koku

Acho que poucas coisas causam tanta confusão quando a economia Rokugani. Primeiramente por que comércio é atividade de heimins, ou é assim que os samurais são ensinados. Supostamente o comércio é relegado pelos samurais e fica a cargo daqueles que são menos capazes de se dedicar às artes da corte, do espirito ou da guerra.


A realidade é um tanto diferente do que é ensinado no entanto, e nem todos podem se dar a o luxo de realmente abdicar de tais preocupações.
No Japão, entre os séculos XVI e XX, o Koku é originalmente uma medidade de volume originalmente definida como a quantidade de arroz necessária para alimentar um homem por um ano, calcula-se que equivale a aproximadamente 180.39 litros, ou aproximadamente 150kg de arroz integral ou 137kg de arroz branco.

No período Edo um Koku (em arroz) valia mais ou menos o mesmo que uma moeda de ouro chamada ryô (ou koban), provavelmente dai a associação entre o ouro, o arroz e o koku que vemos em L5R.

Por curiosidade, a capacidade de carga dos barcos também era medida em Kokus, já que se trata de volume, então um barco de 1000kokus seria, hoje em dia, grosseiramente equivalente a um barco capaz de transportar 100 tons.


Para nós Brasileiros, acostumados com o SI as conversões são bem esquisitas tanto que a explicação do livro, que faz refêrenciaa “bushels” não ajuda muito: "The koku was the standard unit of monetary measure in Rokugan. Its value was equal to the amount of rice that would feed a man for one year, roughly five bushels of rice." (2005, p. 38)

Genericamente, um koku são 5 bushel, creio que a tradução mais próxima de bushel seria alqueire, e novamente bagunçamos uma medida de volume com uma de espaço. Sem mais delongas, um bushel, ou um ichibukin (sim, um bu):

A idéia de alqueire ajuda a entender por que o valor do koku seria variável. No primeira edição a convenção é de que um koku equivale a produção anual de uma fazenda de arroz (no caso, uma fazenda de cinco alqueires), obviamente fazendas podem ter tamanhos e produtividade bem váriados então o upgrade para a não muito melhor definição: Um koku é a quantidade de arroz necessária para alimentar um homem por um ano… é, desvalorizou um tanto ao longo das edições, mas ambas as definições se relacionam ao que era praticado no Japão Feudal.

Essas moedas (tanto o koku quanto o ryô) tinham diversas subdivisões. Foquemos-nos no L5R por enquanto, que segue as regras de todo bom RPG; ouro, prata, cobre.
Um koku é uma moeda de ouro equivalente a cinco bu, a moeda de prata. Um bu por sua vez equivale a 10 zeni, a moeda de cobre. Dessa forma um koku equivale a 50 zenis, e cada zeni compra aproximadamente uma semana de arroz.

Tudo isso leva a questões econômicas bem complexas mas que praticamente não tem impacto no jogo, de qualquer forma, fica o tópico para uma possível discussão futura.

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Referências:
2005, Legend of the Five Rings 3rd, AEG.
1999, Kaempfer's Japan: Tokugawa Culture Observed, p.445-447